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das Europa #2: Marcas nacionalistas

Nos últimos dias, discussões sobre o crescimento de um movimento xenofóbico ocuparam os jornais do mundo, quando a União Européia aprovou uma lei muito mais severa contra imigrantes ilegais. Independente de ser contra ou a favor de uma maior rigidez contra os imigrantes, o fato é que a Europa se depara com essa questão há séculos*.

Sem dúvida, esse movimento é a contra-tendência da internacionalidade cada vez mais acentuada. Lá provavelmente seja o lugar do mundo em que a palavra globalização faça mais sentido, e o efeito disso se percebe na comunicação das marcas.

Se por um lado as marcas trazem mensagens cada vez mais universais, como esta célebre da Telecom Italia,

também é visível um movimento de identidade nacional para as marcas, como esta da Fiat

ou esta da Stolichnaia.

E isso nada mais é do que a reprodução da crise contemporânea: Num mundo com cada vez mais escolhas e conectividade, nossa identidade se torna mais complexa e difícil de definir.

Nesse contexto, a onda First Life acaba ganhando força, com as pessoas buscando autenticidade e essência, resultando numa espiritualidade crescente, facilmente identificável aqui pela influência das filosofias orientais, que se tornaram muito mais presentes justamente pela globalização e pelo aumento de oferta, vejam só.

Então, se o cosmopolitismo europeu é justamente um dos maiores impulsionadores de uma cultura da tolerância e inclusão, o que reflete nas tendências e na publicidade européia, a preocupação em não perder a essência faz as marcas reafirmarem seu DNA patriota, buscando, inclusive, ajudar seus consumidores a suprir suas próprias lacunas de identidade.

E o Brasil? A Fernanda Romano fez uma analogia muito legal, comentando sobre Cannes, dizendo que “a Europa é um status quo em crise existencial. Os EUA sao uma criança com uma arma na mao. Porque eles pensam que podem fazer tudo, fazem muita coisa bacana e também muita porcaria. E o problema do Brasil é que a gente nao achou ainda a identidade“. Faço delas as minhas palavras. Vale ler o comentário dela na íntegra.

* Para quem quiser se aprofundar na questão da imigração, saiu ontem no Estadão uma entrevista muito esclarecedora sobre o assunto.

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