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A Copa de Literatura Brasileira

Lucas Murtinho acaba de marcar um gol de letra ao lançar
a Copa de Literatura Brasileira. O brasileiro radicado na França
propõe um jeito diferente de avaliar a produção literária produzida no distante País do Futebol. A idéia é um confronto das publicações, com o veredito final de um corpo de jurados. Quem ganharia o jogo entre Carlos Heitor Cony X Moacyr Scliar? Saiba mais.


Apresentando a Copa de Literatura Brasileira

É preciso fé para acreditar na eficiência dos prêmios literários. Um punhado de jurados se dedica a definir o melhor livro do ano; os jurados mudam de ano a ano, os lançamentos são tantos que é impossível lê-los todos e o próprio conceito de “melhor” é difícil de ser definido, mas de alguma forma o público é convidado a pensar que o processo funciona. Estatisticamente, essa esperança é um ultraje.

Escrevo isso como alguém que adora prêmios, literários ou não. Já passei algumas noites em claro vendo o Oscar, e poucos eventos regularmente repetidos me parecem tão cheios de drama quanto a apuração das notas do desfile das escolas de samba. Além da emoção barata, porém, prêmios literários são um meio justificado pelo fim: não se trata de eleger o melhor livro do ano mas de guiar o público, provocar o debate, criar expectativas e, inevitavelmente, causar decepções. O prêmio em si interessa pouco: bom é discutir quem merece ganhar antes e reclamar de quem ganhou e não devia depois.

Mas a maioria dos prêmios literários oferece pouco assunto para a conversa. As explicações que acompanham a decisão, quando existem, são platitudes justificadamente ignoradas pelo público. Ficamos sabendo quem ganhou, não como nem por quê; podemos discutir a escolha, não as razões. Os jurados, sem ser anônimos, são protegidos, suas preferências particulares dissimuladas pelo nome do prêmio, pela impessoalidade da decisão.

Um prêmio que se vende como capaz de escolher regularmente o melhor livro do ano não pode expor ao público nem os gostos dos seus jurados, nem as falhas do seu processo. Mas se a idéia é, como acredito que sempre seja, simplesmente falar de livros, por que não mostrar o processo por inteiro? Por que não dar voz e espaço a cada jurado para explicar sua escolha? E, se escolher o melhor é estatisticamente impossível, por que não tornar o prêmio mais emocionante com um regulamento em que, como nos torneios esportivos, os livros se enfrentam um ao outro até que reste apenas um?

Essa é a idéia da Copa de Literatura Brasileira. Dezesseis livros se enfrentam em quinze jogos. Cada jogo é decidido por um jurado, que explica e justifica sua decisão para o público. O campeão talvez seja o melhor romance brasileiro do ano, talvez não. Provavelmente não. O importante é que o campeonato seja divertido e o debate, inteligente.

A Copa de Literatura Brasileira é inspirada no Tounament of Books, criado em 2005 pela revista eletrônica americana The Morning News em parceria com a livraria Powell’s. Os jurados estão a postos:

Francisco José Viegas
Paulo Polzonoff
Jonas Lopes
Leandro Oliveira
Rafael Rodrigues
Bruno Garschagen
Marco Polli
Olivia Maia
Renata Miloni
Antônio Marcos Pereira
André Gazola
Eduardo Carvalho
Doutor Plausível
Jefferson

Os livros já foram escolhidos:

Mãos de cavalo, de Daniel Galera
O movimento pendular, de Alberto Mussa
As sementes de Flowerville, de Sérgio Rodrigues
O segundo tempo, de Michel Laub
Bóris e Dóris, de Luiz Vilela
Os vendilhões do templo, de Moacyr Scliar
O paraíso é bem bacana, de André Sant’Anna
Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges
Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Música perdida, de Luiz Antônio de Assis Brasil
Corpo estranho, de Adriana Lunardi
Por que sou gorda, mamãe?, de Cíntia Moscovich
O que contei a Zveiter sobre sexo, de Flávio Braga
Pelo fundo da agulha, de Antônio Torres
Leda, de Roberto Pompeu de Toledo
O adiantado da hora, de Carlos Heitor Cony

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